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ALÉM DO HORIZONTE
TRANSFORMAR ESTUDANTES EM CIDADÃOS
Um programa da Escola Paulista em parceria com o Corpo de Bombeiros de
São Paulo ensina os alunos de medicina a reduzir os riscos de seqüelas e
morte em decorrência de trauma.
Cem mil vítimas por ano. A maior causa de
morte de pessoas jovens, em idade produtiva. Um sem-número de seqüelas,
desde estéticas até amputações e perda de membros.
Estudos realizados na
última década, nas universidades americanas, mostram claramente que o
trauma, nas suas variadas modalidades, é cada vez mais o responsável
pela perda de vidas de maneira trágica.
Modelos foram criados para
evitá-lo e melhorar o seu tratamento quando o doente chega aos centros
avançados. Criaram-se cursos especiais de treinamento de médicos socorristas, como o Advanced Trauma Life Support (ATLS), que nitidamente
ajudou os médicos da linha de frente, nos pronto-socorros, a organizar e
prestar atendimento com qualidade.
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Figueiredo.
“O importante é prevenir mortes e
acidentes” |
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Ao mesmo tempo, os estudos mostraram que ainda existe uma brecha: o
atendimento ao politraumatizado no local do acidente.
Mortes e mutilações podem e
devem ser evitadas.
Para isso foram criados os
serviços paramédicos especializados.
No Brasil, surgiu o Resgate, com treinamento do Corpo de Bombeiros, para
atendimento ao traumatizado. É muito eficiente nessa tarefa. Mas,
recentemente, surgiu uma idéia interessante que pode aumentar ainda mais
a eficiência do atendimento a vítimas de trauma antes da chegada dos
paramédicos.
Trata-se de ensinar estudantes de medicina (que ainda não
são médicos) a prestar atendimento de forma adequada para reduzir a um
mínimo a chance de seqüelas graves, irreversíveis, ou até a morte. Mais
importante, ensinar esses alunos a proteger o socorrista. Muitas pessoas
morrem tentando ajudar os outros e nada pode ser mais trágico do que
isso.
O programa é uma iniciativa do Dr. Luís Poli Figueiredo, professor
titular de Técnica Operatória da Unifesp, intensivista do Hospital
Albert Einstein, em São Paulo, e estudioso do diagnóstico e do
tratamento do trauma em doentes graves. Conhecido mundialmente por suas
pesquisas na área de choque e trauma, ele conversou com CartaCapital
sobre essa nova abordagem, que propõe transformar futuros médicos em
cidadãos.
CartaCapital: Quais são os problemas do atendimento ao traumatizado
hoje?
Luís Poli Figueiredo: Trauma é um problema de importância capital. Além
de matar muitos jovens, as seqüelas são graves. Uma catástrofe. A
ocorrência de seqüelas, e até de morte, pode ser reduzida se, na hora do
acidente, pessoas preparadas chegarem ao local. O importante é a
prevenção de outras mortes e de outros acidentes.
CC: Por que foram escolhidos alunos de medicina?
LPF: Há muitos estudantes de medicina em formação. São potenciais
replicadores da informação no seu meio, em escolas, em seus bairros.
Transmitirão conceitos, não de medicina, mas de cidadania, e
intervenções que diminuem as conseqüências do trauma uma vez ocorrido.
Então estamos inserindo o assunto na educação médica, já no segundo ano.
CC: Qual é a proposta?
LPF: É um programa grande sobre o atendimento. Se ocorrer um acidente na
estrada, o estudante estará pronto para comunicá-lo adequadamente,
prevenir acidentes secundários, descrever a cena, imaginar que tipo de
lesão pode ter ocorrido, quem deve ser chamado para atender, que tipo de
recrutamento de recursos (ambulâncias especiais, helicópteros) é
necessário. Enfim, racionalizar o atendimento.
CC: A estratégia é que esse programa fique somente na Escola Paulista
(Unifesp) ou que se espalhe para outros lugares?
LPF: A idéia é que toda universidade tenha um campo de ação e que exerça
esses princípios.
CC: Existe algum estudo que comprova a eficiência desse programa em
diminuir a mortalidade e as seqüelas do trauma?
LPF: Existem várias evidências, a partir do treinamento da ATLS, de que
melhorou muito o primeiro atendimento.
CC: Vocês têm algum apoio? Quem paga por este programa?
LPF: Ninguém paga essa conta toda. Está na boa vontade tanto da
universidade quanto dos bombeiros, que dispõem dos seus sábados, sem
remuneração. Por isso, a nossa intenção é desenvolver um programa bem
definido, com objetivos e metas muito claros, para atrair a boa vontade
dentro dos princípios da responsabilidade social: a doação de verbas,
fomentos e condições para que esse tipo de intervenção se dissemine. Por
que uma pessoa que foi beneficiada pelo atendimento em uma estrada, que
bateu seu carro de luxo e foi atendido espetacularmente pelos bombeiros,
foi transportada adequadamente, não teve lesão cervical, por que não
pode doar uma ambulância para o programa?
CC: O senhor é o coordenador do programa?
LPF: Eu estou coordenando com o apoio incondicional do Dr. Honório de
Palma, um dos responsáveis pelo Resgate. É um cirurgião cardíaco da
Escola Paulista de Medicina, eminente professor, que fez o contato
direto com o alto comando do Corpo de Bombeiros. A receptividade foi
espetacular.
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Curso Via Aérea
Difícil realizado na UNIFESP
06/maio/2005 |
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